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Faixa Sonora

domingo, 19 de dezembro de 2010

ÉS MENINO...


  És MENINO e tens amor.
Que farás quando maior?
  Se em tua natividade
já te queima a caridade,
quando crescer tua idade,
- quem suporta seu calor?
  És menino e tens amor.
Que farás quando maior?
  Será tão vivo o seu fogo
que com importuno rogo
pra salvar o mundo logo
te causará mortal dor.
  És menino e tens amor.
Que farás quando maior?
  Arderá tua vontade
tal que pela humanidade
pagar a maçã tu hás-de
com morte de malfeitor.
  És menino e tens amor.
Que farás quando maior?
  Ó amor digno de espanto!
Se neste menino santo
hás-de revelar-te tanto,
cantemos em seu louvor.
  És menino e tens amor.
Que farás quando maior?

FREI IÑIGO DE MENDOZA (c. 1424-c. 1508)
Antologia da Poesia Espanhola das Origens ao Século XIX
(organização e tradução de José Bento)

domingo, 12 de dezembro de 2010

VEM DAÍ


Vem daí, deixa lá esse torpor!
Que o que agora conta e tem valor
É a amada, linda como a lua,
E teres sempre cheia a taça tua!
Não te embarace tanto nevoeiro
Que sobre jardim e vinho vai pairando.
Estares presente é o dever primeiro
E logo o jardim se irá mostrando.

IBN BÁSSÃM (?-1147)
O Meu Coração é Árabe
(tradução de Adalberto Alves)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MAR PELA TARDE


Altos muros da água, torres altas,
águas subitamente negras contra nada,
impenetráveis, verdes, cinzentas águas,
águas de repente brancas, deslumbradas.

Mar despido, sedento mar de mares,
fundo de estrelas mas de espumas alto,
fugitivo branco da prisão marinha
que em estelares limites se desfaz,

que memórias, desejos prisioneiros,
 acendem na tua pele suas verdes chamas?
Em ti te precipitas, te levantas
contra ti e de ti mesmo nunca escapas.

Tempo que se congela ou se despenha,
tempo que é mar e mar que é bloco de gelo lunar,
mãe furiosa, imensa rês fendida
e tempo que devora as suas próprias entranhas.

OCTÁVIO PAZ (1914-1998)
O Mar na Poesia da América Latina (Antologia)
(tradução de José Agostinho Baptista)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A MANSÃO


A mansão do meu amor tem portas duplas,
Abertas de par em par.
Agora que se dana zangada
Eu queria ser o seu guarda
E receber as chicotadas da sua língua.
Assim poderia ouvi-la quando
está zangada,
Como um ouriço novo a chiar de terror.
 
Poemas de Amor do Amigo Egipto
(tradução de Helder Moura Pereira.)