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Faixa Sonora

segunda-feira, 23 de março de 2015

EU TORNO-ME...




Eu torno-me cada vez mais dócil,

e tu sempre misterioso e novo,

mas teu amor, meu severo amigo,

é uma prova de ferro e fogo.

 

Proíbes-me de cantar, sorrir,

e há muito tempo de rezar,

desde que não me aparte de ti,

todo o resto me é igual!

 

Assim, alheia à terra e ao céu,

já não canto, apenas vivo.

Minha alma livre arrancaste

do inferno e do paraíso.

 

ANNA AKHMÁTOYA (1889-1966)

Só o Sangue Cheira a Sangue

(tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)