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Faixa Sonora

sábado, 13 de dezembro de 2014

UMA ÁRVORE E O SOL



Árvore minha amiga, abençoada

Alminha vegetal, com que ternura,

Abres o brando seio à luz sagrada,

Que, como um vento místico, murmura.

 

Logo te viste mãe; e, para a Altura,

Ergueste as mãos, alegre e alvoroçada;

E lembravas assim a Virgem Pura,

Ao sentir-se do Espírito pejada.

 

E o teu corpo, todo ele, era uma flor.

E perfumes de idílio e casto amor,

O céu azul doirado embriagavam…

 

Mas, na sua quimérica alegria,

Essa árvore feliz nem sequer via

A sombra, que seus ramos projectavam…

 

TEIXEIRA DE PASCOAES (1877-1952)

As Sombras. À Ventura. Jesus e Pã

 

 

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