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Faixa Sonora

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AS ALDEIAS



Eu gosto das aldeias sossegadas,

Com seu aspecto calmo e pastoril

Erguidas nas colinas azuladas…

Mais frescas que as manhãs finas d’Abril.

 

Levanta a alma às cousas visionárias,

A doce paz das suas eminências…

E apraz-nos, pelas ruas solitárias,

Ver crescer as inúteis florescências.

 

Pelas tardes das eiras – como eu gosto

Sentir a sua vida activa e sã!

Vê-las na luz dolente do sol posto,

E nas suaves tintas da manhã!…

 

As crianças do campo, ao amoroso

Calor do dia, folgam seminuas,

E exala-se um sabor misterioso

Da agreste solidão das suas ruas.

 

Alegram as paisagens as crianças,

Mais cheias de murmúrios do que um ninho,

E elevam-se às cousas simples, mansas,

Ao fundo, as brancas velas dum moinho.

 

Pelas noites d’estio, ouvem-se os ralos

Zunirem suas notas sibilantes…

E mistura-se o uivar dos cães distantes

Com o canto metálico dos galos.

 

GOMES LEAL (1848-1921)

Claridades do Sul

 

2 comentários:

  1. A vida na aldeia tem destas maravilhas que uns entendem e amam apaixonadamente,mas outros na veleidade dos dias procuram o movimento e as comodidades da cidade.
    Gostei do poema e do canto cheio de graça que lentamente vai partindo.
    Das nossas aldeias sobram muros de silêncio, casas esventradas pelo tempo e o abandono.

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