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Faixa Sonora

segunda-feira, 15 de julho de 2013

RETRATO


Neste retrato
estás a olhar para diante, para sempre, para muito além,
sabe-se lá por que saudade, por que mágoa, mas além,
onde talvez houvesse um cofre aberto para os sonhos que devastei.
pérolas queimadas,
pérolas negras do medo e da paixão,
metais preciosos roubados às forjas de Deus,
tudo o que neste retrato desenha,
com incandescente ferro e pincéis,
ardor, fúria, tenacidade,
mas nunca a renúncia,
nunca as marcas do luto e da febre sobre a lua amarela.
 
Neste retrato eras tu – e não poderia ser eu? ­
com o tempo por cima, a passar impiedosamente,
o tempo do declínio, o tempo do pó,
tudo o que hoje se comprime nesta moldura de prata,
ao centro da mesa, tristemente.
 
JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA (1948)
Biografia

2 comentários:

  1. Olá Mário boa noite. Lindo este poema. Há sempre um cofre aberto para os sonhos, uns recalcados, outros sobrevoados outros esquecidos: mas, muitos! muitos vividos. E, são esses sonhos que vivemos que nos deram o bom da vida, que não há tempo que decline nem os enche de pó. Porque o que foi lindo, é sempre lindo. Nunca o tempo apaga. Um grande abraço, com muita ternura da tua amiga Ange...

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